Às vezes, queria entender esse seu coração turista. Queria algo concreto, algo em que eu pudesse me apoiar, nesse mar de sentimentos. Estou cansada de ficar flutuando, perdida. Eu posso ver a tempestade se aproximando, cada vez mais. Tenho medo. E não importa o quanto eu nade, eu nunca consigo chegar a praia. O mar está ficando agitado, as ondas se quebram sobre mim, partindo cada fio de esperança aos quais me segurei por todo esse tempo. A cada segundo, fica mais difícil nadar contra a maré de solidão. A cara respiração, posso sentir a água invadir os meus pulmões, tirando-me um pouco de vida. Eu preciso de algo para me apoiar, algo que me faça seguir em frente. Preciso saber se seu amor é real, preciso que seja. Preciso de você, para chegar a praia.
Caleidoscópio.
O céu está cinza, morto, doentio. Mas ainda assim, é lindo. O céu está da cor dos teus olhos. O céu é seu, é meu, é nosso. E tudo é nosso. Todas as coisas somos nós. Só eu e você, nesse caleidoscópio de sentimentos. Essas coisas e amores, girando e girando. E eu me perco, tonta. É dor, é deleite. E, vertiginosamente, eu sinto. Mergulho na densidade dos nossos laços e me afogo em você. A insanidade corrompe as minhas entranhas fazendo de mim mais sua. Que a frugalidade tome de conta de tudo nos momentos mais ébrios de nosso amor. Que o sentimento perdure sem sentido, como minhas palavras. Pois só assim sou capaz de compreendê-lo.
Sunday morning, rain is falling...
Havia uma coisa triste sobre domingos. Talvez fosse saudades da semana anterior, que terminou no sábado, ou talvez fosse apenas uma melancolia natural, que viesse acoplada ao ar do domingo. Não sei exatamente como explicar, mas talvez eu pudesse simplesmente tirar uma ou duas horas de todos os meus domingos para chorar. Sim, chorar. Por nenhum motivo aparente, só por causa daquela velha tristeza dominical que eu respiro. E eu me pergunto: se não existisse domingo, para qual dia seria transferida essa consternação? Quarta-feira, talvez. Por qual motivo, eu não sei. Mas existem muitas coisas na vida que não entendo a razão. Uma delas, é esse desalento.
Quiet heartbeat.
A ausência de sonhos pode ser o pior dos vazios. Não tem como viver sem ter nenhuma expectativa. Todos os dias eu acordo e repito aquela velha rotina, desejando profundamente que chegue o final do dia e eu possa dormir novamente. E, lá se vai mais uma noite sem sonhos. É como se fosse simplesmente um ensaio para o dia em que você não mais acordará. E quando esse ciclo vicioso vai acabar? Quando vai aparecer algo para quebrar essa monotonia que me destrói a cada segundo? Não seria mais fácil dormir para sempre? Eu preciso de algo que me faça me sentir viva. Nem que seja por um momento.
I believe in a heaven when i'm with you.
Acho que conheci um anjo, com feições de guerreiro. Uma barba densa adornava sua tez pálida e servia como moldura para um sorriso simplório; onde os lábios protuberantes – rachados por guerras frias – curvavam-se quase imperceptivelmente. Ainda que sua beleza se torne insignificante perante às suas palavras gentis. Dizem que anjos são mensageiros de boas coisas, dizem que eles cuidam de nós e nos guiam pelos melhores caminhos. Fiz uma oração para o meu anjo e ele me apareceu, personificado. E, nos momentos mais difíceis, foi nele quem eu pensei. Me agarrei com todas as forças às suas palavras. E isso me fez melhor. Isso me faz melhor, sempre. Só me resta gratidão, agora.
Don't let me down...
Jurei nunca mais amar de novo. Mas, quantas vezes mesmo eu havia jurado a mesma coisa? Aquela era a promessa que eu vivia quebrando, até mais que minha dieta. E agora, me peguei ouvindo Beatles, com lágrimas nos olhos. Don't let me down, implorava silenciosamente com o coração. Sei que vai ser em vão não querer sofrer, porque amor é isso: sofrer. Sei que muitas lágrimas virão, sei que muitos sonhos serão quebrados. É como se houvesse um roteiro inteiro em minha mente. É uma ordem: Amar, sofrer, chorar e finalmente esquecer. O mais difícil disso tudo, é que leva um grande intervalo de tempo entre o “sofrer” e o “esquecer”.
We drink to die, we drink tonight...
3:13 a.m. Naquela altura, já havia desistido de completar o seu copo, afinal, era bem mais prático tomar diretamente da garrafa. Johnny Walker era a sua única companhia naquela madrugada. O gosto amargo não se fazia mais presente, a bebida descia com tamanha suavidade, que já esvaziava o que restava de sua segunda garrafa. Um cigarro com filtro molhado de uísque pendia de seus lábios, desfazendo-se em cinzas que caiam sobre a sua camisa. Nenhum trago, enquanto aguardava pacientemente que alguém atendesse o telefone do outro lado da linha. Já havia tentado tantas vezes, sem perder a esperança. A janela escancarada permitia que o ar gélido invadisse o âmbito, atingindo a sua tez com mil agulhadas. Não importa, a saudade doía mais. Após chamar algumas vezes, o telefone caiu na caixa postal. Esperou o bip. - Eu estou... Hm... Deixa pra lá. - Desligou. Estava com saudades, era isso que ia dizer. Sabia que não ouviria aquela mensagem, sabia que não se importaria com as ligações. Atirou o celular surrado com a maior força que pôde e observou o mesmo se chocando contra a parede manchada. O amor era mesmo destrutivo.












