Sunday morning, rain is falling...


Havia uma coisa triste sobre domingos. Talvez fosse saudades da semana anterior, que terminou no sábado, ou talvez fosse apenas uma melancolia natural, que viesse acoplada ao ar do domingo. Não sei exatamente como explicar, mas talvez eu pudesse simplesmente tirar uma ou duas horas de todos os meus domingos para chorar. Sim, chorar. Por nenhum motivo aparente, só por causa daquela velha tristeza dominical que eu respiro. E eu me pergunto: se não existisse domingo, para qual dia seria transferida essa consternação? Quarta-feira, talvez. Por qual motivo, eu não sei. Mas existem muitas coisas na vida que não entendo a razão. Uma delas, é esse desalento.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Quiet heartbeat.



A ausência de sonhos pode ser o pior dos vazios. Não tem como viver sem ter nenhuma expectativa. Todos os dias eu acordo e repito aquela velha rotina, desejando profundamente que chegue o final do dia e eu possa dormir novamente. E, lá se vai mais uma noite sem sonhos. É como se fosse simplesmente um ensaio para o dia em que você não mais acordará. E quando esse ciclo vicioso vai acabar? Quando vai aparecer algo para quebrar essa monotonia que me destrói a cada segundo? Não seria mais fácil dormir para sempre? Eu preciso de algo que me faça me sentir viva. Nem que seja por um momento.


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

I believe in a heaven when i'm with you.


Acho que conheci um anjo, com feições de guerreiro. Uma barba densa adornava sua tez pálida e servia como moldura para um sorriso simplório; onde os lábios protuberantes – rachados por guerras frias – curvavam-se quase imperceptivelmente. Ainda que sua beleza se torne insignificante perante às suas palavras gentis. Dizem que anjos são mensageiros de boas coisas, dizem que eles cuidam de nós e nos guiam pelos melhores caminhos. Fiz uma oração para o meu anjo e ele me apareceu, personificado. E, nos momentos mais difíceis, foi nele quem eu pensei. Me agarrei com todas as forças às suas palavras. E isso me fez melhor. Isso me faz melhor, sempre. Só me resta gratidão, agora.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Don't let me down...


Jurei nunca mais amar de novo. Mas, quantas vezes mesmo eu havia jurado a mesma coisa? Aquela era a promessa que eu vivia quebrando, até mais que minha dieta. E agora, me peguei ouvindo Beatles, com lágrimas nos olhos. Don't let me down, implorava silenciosamente com o coração. Sei que vai ser em vão não querer sofrer, porque amor é isso: sofrer. Sei que muitas lágrimas virão, sei que muitos sonhos serão quebrados. É como se houvesse um roteiro inteiro em minha mente. É uma ordem: Amar, sofrer, chorar e finalmente esquecer. O mais difícil disso tudo, é que leva um grande intervalo de tempo entre o “sofrer” e o “esquecer”.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

We drink to die, we drink tonight...


3:13 a.m. Naquela altura, já havia desistido de completar o seu copo, afinal, era bem mais prático tomar diretamente da garrafa. Johnny Walker era a sua única companhia naquela madrugada. O gosto amargo não se fazia mais presente, a bebida descia com tamanha suavidade, que já esvaziava o que restava de sua segunda garrafa. Um cigarro com filtro molhado de uísque pendia de seus lábios, desfazendo-se em cinzas que caiam sobre a sua camisa. Nenhum trago, enquanto aguardava pacientemente que alguém atendesse o telefone do outro lado da linha. Já havia tentado tantas vezes, sem perder a esperança. A janela escancarada permitia que o ar gélido invadisse o âmbito, atingindo a sua tez com mil agulhadas. Não importa, a saudade doía mais. Após chamar algumas vezes, o telefone caiu na caixa postal. Esperou o bip. - Eu estou... Hm... Deixa pra lá. - Desligou. Estava com saudades, era isso que ia dizer. Sabia que não ouviria aquela mensagem, sabia que não se importaria com as ligações. Atirou o celular surrado com a maior força que pôde e observou o mesmo se chocando contra a parede manchada. O amor era mesmo destrutivo.

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS


Vazio.


  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS

Artigo Simplório

Como afirma minha irmã, Jessica Sombra, quem escreve não deseja recordar, e sim, olvidar. Contudo, no mar de lembranças no qual navego, por vezes, é possível avistar faróis, em meio a tanta obscuridade. E foi quando o Moacir Morran (@moacirmorran) proferindo um magistral comentário iluminou a minha tarde de quarta-feira, via e-mail. Em assim sendo, compartilho a aurora com meus prezados leitores:



A moça que me roubou a noite

Nas primeiras chuvas de janeiro, vi uma menina que tecia sonhos com uma sintaxe enxuta e palavras desnudas. Vi suas marcas de guerra e os mesmos fantasmas que lhe afligem, morando no meu sótão. Não há quem não mergulhe nas suas implicações e não acorde com uma puta ressaca, querendo vomitar no banheiro. Por vezes, se comporta ácida, ou melhor, “ácido nitroso”. Mas a sutileza e a suavidade de seus discursos ostentam uma maturidade que não se vê nos seus olhos. Quem é essa menina ou moça que se esgueira na onda inaudita da internet? Com textos miúdos, mas deveras hercúleos, capazes de levar à lona Muhammad Ali no primeiro round. Ao mesmo tempo em que arrebata!

Ela, sem ver nem pra quê, roubou-me a noite e, agora, sinto uma vontade lúbrica de me extasiar nas engrenagens de seus textos; esquecer-me por um instante e vislumbrar outro mundo possível.

O que virá do âmago dessa menina ou moça? Será algo tão surpreendente quanto a sua visão lúcida e madura? Aguardo ansioso, esperando que mais uma vez ela carregue minha noite!”

Moacir Morran

  • Digg
  • Del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Reddit
  • RSS